Renda Renascença de Poção e arte em Madeira em Sertânia carregam tradição e garantem sustento de empreendedores criativos

Das rendeiras aos escultores, cadeias produtivas da economia criativa ganham força com o apoio do Sebrae

O talento que nasce das mãos pernambucanas carrega mais do que beleza: sustenta histórias, territórios e modos de vida. Do Agreste ao Sertão, a arte ganha forma no tecido e na madeira, encantando quem vê de perto e de longe. É assim com a renda renascença de Poção e com o artesanato em madeira de Sertânia - duas cadeias produtivas da economia criativa que atravessam gerações e hoje garantem renda para centenas de empreendedores.

Em ambas, o Sebrae Pernambuco atua como parceiro estratégico, oferecendo capacitações, orientação especializada e iniciativas de acesso a mercado. O apoio fortalece desde a produção até a comercialização, ampliando oportunidades e valorizando identidades locais.

RENDA

Linha, agulha e lacê são mais que ferramentas: são extensão das mãos que tecem a renda renascença. A técnica, de origem italiana, encontrou em Poção, no Agreste pernambucano, um território fértil para florescer desde os anos 1930, quando foi introduzida por Maria Pastora. O que começou com um pequeno grupo de oito mulheres se transformou em uma sólida cadeia produtiva têxtil artesanal, hoje reconhecida dentro e fora do Brasil.

Impulsionada pelas dificuldades impostas pela seca, a renda foi ressignificada como alternativa de sustento, sobretudo para mulheres, impulsionando o empreendedorismo feminino na região. Atualmente, a produção abastece mercados regionais, nacionais e internacionais, mantendo viva uma tradição que também se reinventa. Das peças de vestuário aos objetos de decoração, surgem releituras contemporâneas que ampliam o alcance dessa arte manual. Hoje a renda renascença pode ser vista também em quadros. 

O trabalho é minucioso, feito em etapas, exigindo dedicação e precisão. Cada ponto unido pelo lacê carrega tempo, cuidado e memória. Em Poção, conhecida como berço da renda renascença no Brasil, a técnica não é apenas ofício - é identidade.

MADEIRA

No Sertão do Moxotó, em Sertânia, a madeira dá forma a outra importante cadeia produtiva artesanal. A partir da umburana e do cedro, mais de 30 empreendedores transformam matéria-prima da caatinga em esculturas marcadas por traços alongados e expressivos. As peças retratam o cotidiano sertanejo - figuras humanas, animais e cenas da vida no semiárido - e se destacam pela originalidade.

Essa produção, que nasceu no seio de famílias da região, hoje integra a economia criativa pernambucana e conquista espaço em feiras e eventos como a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) e a CasaCor, no Recife, além de mercados locais e circuitos culturais. 

O Sebrae atua como elo entre tradição e mercado, apoiando a profissionalização e formalização dos artesãos, incentivando a inovação e ampliando canais de comercialização. O objetivo é formar uma cadeia mais estruturada, competitiva e sustentável.

Riquezas de Pernambuco

Atualmente, esses produtos estão em processo para serem reconhecidos como Indicações Geográficas (IGs) em Pernambuco, processo realizado em parceria entre o Sebrae/PE e a Agência Estadual de Desenvolvimento Econômico (Adepe). Os pontos que produzem peças únicas em roupas e objetos de decoração e a técnica sem igual para criar as esculturas de madeira serão mostradas ao mundo através da série audiovisual Riquezas de Pernambuco. Produzida pelo Sebrae/PE, os episódios são semanais, exibidos pelo Instagram e pelo YouTube, e apresenta as cadeias produtivas que impulsionam a economia do estado. 

Author
Thiago Lima

Thiago de Lima Silva, natural de Salgueiro-PE, tem 33 anos. Iniciou no Rádio aos 17 anos de idade.

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